A importância da saúde Mental em atletas de alta competição começou, finalmente, a ganhar alguma dimensão na comunidade, mérito, sobretudo dos poucos que se esforçaram por evidenciar um problema de muitos.
A Cruz Vermelha Portuguesa, no âmbito da sua missão de promoção da dignidade humana associou-se, em julho do presente ano, à Kobayashi Running Challenge. Uma corrida/caminhada que envolveu dezenas de participantes dos quatro cantos do mundo num movimento conjunto com o propósito de sensibilizar a população para a necessidade de mudanças que considerassem a Saúde Mental dos atletas como um foco de preocupação e cuidado.
Por forma a apoiar esta causa, a Cruz Vermelha disponibilizou recursos técnicos, nomeadamente psicólogos, distribuídos pelo país como resposta de retaguarda aos atletas. O movimento envolveu as mais diferenciadas entidades de referência nas áreas da Saúde e Desporto.
Renato Kobayashi, conhecido como “Mestre de Judo”, promotor da iniciativa da sua filha Mariana, a Kobayashi Running Challenge e defensor na necessidade, há muito sentida, de respostas no âmbito da Saúde Mental aos atletas de alta competição, juntou-se à Cruz Vermelha para apoiar as iniciativas enquadradas nesta matéria, acreditando que “ juntos, conseguimos chegar mais longe”.

Renato Kobayashi Embaixador da Cruz Vermelha Portuguesa
Kobayashi, nome de herança do “Pai do Judo” Kiyoshi Kobayashi, é um impulsionador da modalidade em Portugal e torna-se Embaixador da Cruz Vermelha Portuguesa para a área da Saúde Mental em atletas de alta competição.
Numa breve entrevista, Renato Kobayashi partilha que esta é uma causa que sempre defendeu e finalmente começa a ser um tema em cima das mesas dos decisores políticos e desabafa:
“Partilhar rotinas diárias com muitos destes atletas, vê-los iniciar, melhorar e, em resultado de muito esforço, representar a nossa nação, nem sempre corresponde a um percurso de vitórias e sucessos. Diariamente estes atletas estão sujeitos a uma pressão inexplicável, a uma ansiedade constante e a restrições inflexíveis em várias áreas funcionais da vida de qualquer jovem.
Ao contrário das outras áreas da saúde com resultados visíveis para a sua performance, a Saúde Mental, pelo facto dos mais distraídos não a conseguirem identificar objectivamente como uma limitação ao percurso do atleta, é descorada, ignorada e até menosprezada. Temos exemplos claros de atletas que tiveram necessidade de se afastar por diagnósticos delicados no foro da Saúde Mental e, a mesma sociedade que os aplaudiu sempre que ganhavam, também os excluiu quando deixaram de competir porque estavam, afinal, doentes.
Associar-me à Cruz Vermelha permite-me duas vitórias, por um lado dar voz a uma causa que defendo há muito tempo e, não menos impactante para mim, juntar-me à maior Instituição Humanitária do Mundo”.



